Crise do chip: foco em valor agregado e simplificação dos carros

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Crise do chip: foco em valor agregado e simplificação dos carros

A crise do chip está levando a indústria automobilística mundial a tomar medidas drásticas para contornar o que parecia um problema pontual, mas que tomou agora dimensões realmente colossais, colocando todo o setor em risco.

Embora no Brasil a produção tenha sido em parte retomada, no mundo, a coisa está muito complicada, especialmente nos EUA e Europa. Os fabricantes de veículos estão deixando de produzir centenas de milhares de carros por falta de semicondutores.

A situação está tão complicada que alguns fabricantes já estão revendo suas estratégias de produto para não ficarem literalmente na rua da amargura.

Nos EUA, por exemplo, a GM decidiu que irá focar na produção de carros de alto valor agregado, que possuem margens de lucro maiores para compensar a falta de componentes.

Segundo a Reuters, Mary Barra teria dito que a GM pode obter melhores resultados sem estocar veículos, obtendo margens maiores focando na venda de modelos de valor agregado superior, o que ajudou a companhia a obter lucro de US$ 3 bilhões no primeiro trimestre.

Barra disse: “Nunca voltaremos ao nível de estoque que tínhamos antes da pandemia, porque aprendemos que podemos ser muito mais eficientes”. Ou seja, grandes volumes de carros baratos não serão mais uma prioridade na GM para o mercado americano.

Crise do chip: foco em valor agregado e simplificação dos carros

Quando se fala em carros mais baratos, no ambiente americano, significa modelos que consideramos médios. A GM suspendeu a produção do Equinox no Canadá e reduziu volumes até do Cadillac XT4. O Malibu foi outro afetado pela decisão.

Enquanto isso, no outro lado do Atlântico Norte, as montadoras europeias cortam tecnologias e simplificam os carros para driblar a falta de chips. Conforme dito pelo Automotive News Europe, a Renault-Nissan retrocedeu no uso de tecnologias mais atuais.

Agora, apenas um terço da produção das duas marcas estão saindo de fábrica com multimídia dotada de navegador GPS. Além disso, boa parte dos carros já não portam cluster digital e carregador indutivo para smartphone. O Arkana, por exemplo, é uma das vítimas.

A Peugeot fez o mesmo com o Novo 308, que volta ao cluster analógico. Nos EUA, isso também já está sendo feito, com picapes de GM e Stellantis sem alguns itens que não são considerados prioritários ou que não colocam em risco a segurança, como modo de economia ou monitoramento de ponto cego.

Para alguns fabricantes, a indústria de microchips diz que a crise será contornada no início de 2022, mas a Intel fala em dois anos para uma resolução do problema.

Nesse meio tempo, alguns decidiram fabricar carros sem chips e estocar até a normalização das entregas. Para outros, apoiados fortemente em tecnologias mais caras, como BMW, Audi e Mercedes-Benz, a situação será bem mais complexa…

[Fonte: Reuters/Auto News Europe]

 

 

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