Em meio à pandemia de Covid-19, EUA registram menor taxa de natalidade em mais de 40 anos

Em meio à pandemia de Covid-19, EUA registram menor taxa de natalidade em mais de 40 anos
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BAURU, SP (FOLHAPRESS) – Os Estados Unidos registraram, em 2020, o menor número de nascimentos de bebês em mais de 40 anos, à medida em que a pandemia de coronavírus forçou famílias a adiarem ou cancelarem planos de terem filhos.

A taxa de natalidade nos EUA já vinha em queda nos últimos seis anos consecutivos, mas agora alcançou a menor marca desde 1979. Os cerca de 3,6 milhões de bebês americanos que nasceram no ano passado representam uma queda de 4% em relação ao ano anterior, de acordo com dados divulgados pelo Centro Nacional de Estatísticas de Saúde dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).

O CDC não atribui a queda diretamente à pandemia, mas especialistas vêm alertando que as diversas crises provocadas ou maximizadas pela Covid-19 têm impacto direto sobre a fertilidades das mulheres.

Os altos índices de desemprego, o cenário de incerteza econômica, os efeitos do coronavírus sobre a saúde mental das famílias e até o fato de que há mais pessoas precisando dedicar atenção a familiares em recuperação são alguns dos fatores que podem estar relacionados à redução do número de nascimentos.

Dados mais antigos mostram que os EUA viveram cenários parecidos em outros momentos de crise. Segundo estatísticas do Population Reference Bureau (PRB), uma organização sem fins lucrativos, a taxa de natalidade americana atingiu o mínimo histórico em 1936, sete anos após a quebra do mercado de ações em 1929, que mergulhou o país no período conhecido como a Grande Depressão.

À medida em que a economia do país se recuperou, os EUA viveram uma explosão demográfica, o chamado “baby boom”, concentrada principalmente no período pós-Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A partir da década de 1960, no entanto, o índice médio de fertilidade começou a cair em decorrência de importantes mudanças sociais, como a ascensão dos movimentos feministas, o surgimentos de novos e mais eficazes métodos de contracepção e, em 1973, a legalização do aborto nos EUA.

Em junho do ano passado, o Instituto Brookings, grupo de pesquisadores com sede na capital americana, publicou um relatório estimando que a crise de saúde pública causada pelo coronavírus e a consequente recessão econômica resultaria em uma queda de 300 mil a 500 mil nascimentos em 2021.

Em dezembro, os pesquisadores revisaram a estimativa e a mantiveram em 300 mil nascimentos a menos neste ano, mas fizeram ressalvas a respeito de fatores cujo impacto na fertilidade ainda não havia sido mensurado de forma completa, como o fechamento de escolas e creches.

Outro estudo, do Instituto Guttmacher, especializado em saúde reprodutiva, constatou que 34% das mulheres americanas, por causa da pandemia, adiaram seus planos de maternidade ou diminuíram a expectativa sobre a quantidade de filhos que desejavam ter.

Além da incerteza sobre o futuro, a queda na natalidade também pode estar relacionada a um movimento de queda na frequência e no interesse por sexo.

Uma pesquisa realizada ainda nos primeiros meses da pandemia nos EUA pelo Instituto Kinsey mostrou que 43,5% dos entrevistados relataram um declínio em sua vida sexual, enquanto 42,8% disseram não ter notado diferenças e 13,6% apontaram melhoras.

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