Especialista do MT Saúde destaca eficácia da fisioterapia para disfunção olfativa ocasionada pelo coronavírus

Especialista do MT Saúde destaca eficácia da fisioterapia para disfunção olfativa ocasionada pelo coronavírus
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Especialista do MT Saúde destaca eficácia da fisioterapia para disfunção olfativa ocasionada pelo coronavírus

Técnica consiste em realizar treinamento olfativo com produtos indicados pelo médico. A taxa de melhora do olfato varia até 25%.


Mato Grosso Saúde

Fisioterapia do olfato necessidade de dedicação dos pacientes para obtenção de êxito. – Foto por: Shidlovski – Shutterstock

Fisioterapia do olfato necessidade de dedicação dos pacientes para obtenção de êxito.

Afetando 15% da população, a disfunção olfativa sempre foi relatada nos consultórios médicos, mas apresentou um aumento expressivo após o início da pandemia da Covid-19, conforme explica a otorrinolaringologista do MT Saúde Elvira Lopes. A especialista destaca a fisioterapia do olfato como tratamento seguro e eficaz na melhora do distúrbio.

A médica relata que “com o surgimento do novo coronavírus, cerca de 83% dos pacientes relataram o distúrbio, sendo quase 43% com queixa de perda do olfato”. Dados levantados no Brasil apontam que os casos são mais comuns em mulheres e não possuem relação com a gravidade da doença.

Porém, não sentir cheiros pode ser perigoso, pois cria a incapacidade de perceber a presença de produtos químicos nocivos, fumaça, comida estragada e problemas com a própria higiene. Pacientes com essa disfunção podem ter uma má qualidade de vida, gerando sofrimento severo e até depressão. 

“Além disso a anorexia fisiológica, comum em populações geriátricas, pode ser parcialmente devido ao olfato diminuído. A perda olfatória pode ser um sinal precoce de doenças neurodegenerativas, tais como Doença de Parkinson e Alzheimer e os pacientes anósmicos (com perda do olfato) apresentam volumes cerebrais reduzidos de substância cinzenta e branca em comparação com controles saudáveis”, explica a médica.

A especialista ainda explica que a perda do olfato, relatada por pacientes com Covid-19, acontece devido ao dano causado pelo vírus nas vias olfatórias, principalmente nas células de sustentação e vascularização, que causa a alteração na função dos neurônios olfatórios.

Tratamento

A fisioterapia do olfato vem sendo utilizada como uma forma de tratamento seguro e eficaz, que ajuda na melhora da disfunção após a exposição repetida ao odor.

“É um procedimento seguro, sem efeitos adversos significativos e o primeiro regime de terapia bem-sucedida para alteração do olfato, realizado desde 2009, inicialmente por uma equipe alemã. Sendo assim, já era um tratamento bem indicado para as outras causas de perda de olfato, como outras causas pós-infecciosas, pós-traumáticas”, comenta a otorrinolaringologista. 

São dois tipos de fisioterapia, sendo a clássica, que consiste na manipulação ou compra de essências baseadas em cheiro de quatro odores engarrafados, sendo eles rosa, eucalipto, limão e cravo. A médica também fala sobre o segundo tipo, que é caseiro e foi desenvolvido por estudiosos brasileiros, nele os odores são café, baunilha, mel, cravo, creme dental sabor menta, suco concentrado de tangerina e vinagre de vinho tinto.

“Não há dados que comprovem a superioridade de um método em relação ao outro, podendo ser orientado ambos os tipos. É importante lembrar que se deve ter cuidado com alguns odores. Não pode utilizar qualquer um, tem que evitar principalmente o uso de Vick, Cânfora e planta Buchinha”.

As formas de fisioterapia devem ser realizadas com orientação médica. Elvira Lopes diz que os odores devem ser separados em frascos com tampa, em pequena quantidade e serem trocados periodicamente. Ao separar os odores, o paciente deve cheirar de forma concentrada e mentalizar o odor por aproximadamente 10 segundos, com um intervalo de 15 segundos entre os cheiros.

“A realização da fisioterapia demanda tempo e dedicação dos pacientes, já que é feita em casa e nem todos seguem até o final. Pesquisa recente revela que a taxa de adesão ao tratamento após três meses foi de 88% e após seis meses uma diminuição para 56%. Já as porcentagens de melhora ficaram entre 23,5% e 25%”, informa a especialista

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