No aniversário de um ano da morte de George Floyd, família cobra reforma policial

No aniversário de um ano da morte de George Floyd, família cobra reforma policial
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Exatamente um ano após George Floyd ser morto por um policial em Minneapolis, sua família foi até a Casa Branca nesta terça-feira (25) para conversar com o presidente Joe Biden sobre racismo e pedir uma reforma no sistema policial.

Atos foram marcados em diversas cidades americanas para homenagear Floyd, que em 26 de maio do ano passado foi morto sufocado por um policial branco que ajoelhou em seu pescoço por quase 10 minutos -o caso fez eclodir uma onda de protestos antirracistas nos EUA.

O encontro com Biden foi fechado para os jornalistas, mas na saída seu irmão deixou claro que a prioridade da família é lutar para que cenas de violência policial contra negros não se repitam.

“Se vocês podem fazer leis federais para proteger a ave [nacional], que é a águia, vocês podem fazer leis federais para proteger pessoas negras”, afirmou Philonise Floyd depois da reunião com Biden e com a vice-presidente dos EUA, Kamala Harris -a primeira pessoa negra a ocupar o posto na história.

Na sequência, os familiares repetiram um dos lemas comuns nos protestos contra o racismo e, com os punhos levantados ainda no jardim da Casa Branca, gritaram: “Digam seu nome nome! George Floyd!”. Quem liderou a homenagem foi Gianna, 7, filha de George, ao lado de seus tios e primos.

Mais cedo, a família Floyd já tinha visitado o Congresso americano, onde se reuniu com a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e com outros deputados democratas. Nos dois encontros, Philonise cobrou apoio à chamada Lei George Floyd de Justiça no Policiamento, a principal iniciativa federal na área.

Em março, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou a nova legislação, que proíbe táticas policiais controversas, como o estrangulamento, e facilita o caminho para ações judiciais contra agentes que violarem direitos de suspeitos. Mas a medida parou no Senado, onde precisa de 60 dos 100 votos da Casa para ser efetivada.

Os senadores estão divididos hoje entre 50 votos para os democratas e 50 para os republicanos -com desempate nas mãos da vice-presidente Kamala Harris-, e analistas são céticos quanto ao apoio de ao menos dez republicanos a um projeto como este. A oposição critica, especialmente, o ponto que facilita a abertura de processos contra policiais.

Biden chegou a anunciar que esperava que a lei fosse aprovada nas duas Casas até esta terça, mas desistiu da ideia dada a lentidão das negociações. Em comunicado divulgado após o encontro com a família de Floyd, ele cobrou a aprovação da lei.

“A batalha pela alma da América tem sido uma constante disputa entre o ideal americano de que todos somos criados iguais e a dura realidade de que o racismo há muito nos separa. Nos nossos melhores momentos, o ideal americano vence. É isso que deve acontecer de novo”, disse o presidente.

Apesar das grandes manifestações que tomaram os EUA contra a violência policial após a morte de Floyd, poucas propostas de mudança de fato saíram do papel até o momento no país. O ex-presidente Barack Obama, o primeiro negro a ocupar a Casa Branca, disse que mesmo assim vê com esperança o atual momento e que mais pessoas hoje percebem o racismo do que há um ano.

Em Minneapolis, a Câmara Municipal chegou a prometer no ano passado desmantelar o Departamento de Polícia e reconstruir o sistema de segurança com a ajuda da comunidade, mas a proposta acabou naufragando.

O prefeito Jacob Frey, do Partido Democrata, é contrário à ideia, e vereadores, que antes defendiam a ideia, recuaram diante da pressão de moradores.

Às 13h do horário local (15h no horário de Brasília), Frey e outras lideranças locais participaram de um ato em um parque na cidade na cidade, na qual os participantes ficaram em silêncio por 9 minutos e 29 segundos -foi exatamente esse o tempo que o policial Derek Chauvin ficou ajoelhado sobre Floyd. No final de abril, o ex-agente foi considerado culpado pelo assassinato e condenado em três categorias de homicídio. A pena, que ainda não foi anunciada, pode chegar a 40 anos de prisão.

No cruzamento onde George foi morto, que foi transformado em um memorial em sua homenagem, manifestantes ajoelharam e também ficaram em silêncio por quase 10 minutos. De manhã, um carro passou atirando nas proximidades do locais, deixando os manifestantes apreensivos. Apesar da correria, porém, apenas uma pessoa ficou ferida sem gravidade pelos tiros .

A homenagem a Floyd também foi feita em Nova York, com a participação do prefeito, o democrata Bill De Blasio. Cidades como Los Angeles, Houston e Portland também tiveram manifestações em homenagem a Floyd nesta terça.

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