Três meses após lockdown, Araraquara cria novas normas para manter comércio aberto

Três meses após lockdown, Araraquara cria novas normas para manter comércio aberto
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RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) – Três meses depois de ter iniciado um lockdown devido ao colapso do sistema de saúde, Araraquara (a 273 km de São Paulo) colocou em vigor nesta segunda-feira (24) um decreto que adota índices de positividade nas testagens da Covid-19 para manter as atividades econômicas em funcionamento.

Hoje com todos os setores em funcionamento restrito -mas abertos-, Araraquara foi a primeira cidade do país a adotar restrições totais devido ao avanço do novo coronavírus e projeta mais medidas do gênero se a taxa de positividade nos exames passar de 30% dos sintomáticos ou de 20% nos testes em geral por três dias seguidos ou cinco alternados no prazo de uma semana.

Se os limites estabelecidos forem ultrapassados, o atendimento presencial das atividades econômicas será suspenso por pelo menos sete dias para controlar a pandemia. A volta só ocorrerá quando houver três dias seguidos com taxas abaixo de 20% (sintomáticos) ou 15% (na testagem em geral).

O decreto estabelece ainda que, quando a positivação atingir 20% dos sintomáticos e 15% da testagem geral, um alerta será emitido pela prefeitura para toda a população, já com algumas medidas restritivas para frear a circulação de pessoas -ainda sem alterar o funcionamento das atividades.
Os índices têm ficado abaixo desse patamar. Nos últimos dez dias, o maior índice foi registrado nesta segunda, 17,8%, num universo de 95 amostras analisadas.

Nesta terça-feira (25), foram registrados 88 casos, 15% das 584 amostras analisadas pelos serviços de saúde, entre sintomáticos e assintomáticos. A prefeitura implantou um serviço de testagem nos setores econômicos e sociais, com o objetivo de encontrar casos sem sintomas.

Se forem considerados somente os casos sintomáticos, ou seja, pessoas que procuraram os serviços de saúde, o índice sobe para 16,8%. Desde o início da pandemia, Araraquara acumula 20.777 casos, para uma população de 238 mil habitantes, e 435 óbitos.

O decreto prevê também que, nas empresas, o rastreamento feito pela prefeitura poderá até interditar parcial ou totalmente o estabelecimento por dois dias caso sejam encontrados 10% ou mais de casos positivos em relação ao total de funcionários.

“As atividades estão abertas e fiscalizamos se estão cumprindo horários, regras e percentual de pessoas no espaço. Criamos blitz noturna para verificar se as pessoas estão descumprindo o toque de recolher, após as 22h, e adotamos as barreiras sanitárias. Só entram na cidade se apresentarem teste negativo feito em até 48 horas de antecedência e, se não tiver, a convidamos para testar na própria barreira”, disse o secretário da Segurança Pública de Araraquara, João Alberto Nogueira Junior.

Entre os dias 17 e 23, foram feitas 5.306 abordagens de pessoas físicas em barreiras sanitárias, além de 694 no terminal rodoviário. Foram aplicados 1.585 testes rápidos e, em 30, o resultado foi positivo. Sete motoristas que não justificaram a circulação na cidade tiveram de retornar para seus municípios.

Além das barreiras sanitárias, a cidade implantou novos leitos, decretou o lockdown com severas restrições nos sete primeiros dias, apostou em usar um antigo motel como unidade de quarentena (para quem não tem condições de se isolar em casa) e uma igreja como extensão da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Xavier, passou a monitorar o esgoto da cidade (para ver em quais regiões a incidência do vírus está maior) e iniciou o tratamento de pacientes com plasma contra Covid-19, em parceria com o Butantan.

No anúncio do decreto, o prefeito Edinho Silva (PT) afirmou que “quem vai dizer se Araraquara vai continuar funcionando não é o prefeito, não é a secretária de Saúde, não é a equipe de Saúde, é a cidade de Araraquara”. “Por isso, é um pacto social esse decreto”, disse.

A cidade, que virou símbolo no estado do avanço da variante brasileira da doença, viu explodir o total de mortes no fim de janeiro e, nos dois primeiros meses do ano, registrou 117 óbitos, ante os 92 do ano passado inteiro.

Foram 93 só em fevereiro, número que ainda subiu para 129 em março, principalmente na primeira quinzena, quando as medidas restritivas ainda não tinham causado efeito, segundo a prefeitura.

Em abril, foram 49, o que representou 62% de redução em relação ao mês anterior.

Apesar disso, os óbitos em maio, até esta terça, já quase igualam o total de abril. São 48 neste mês, um a menos que o registrado no mês passado.

As UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) seguem cheias. O índice de ocupação nesta quarta é de 94%, mas composto principalmente por pacientes de outras cidades, que estão em situação grave e não têm mais leitos disponíveis.

Dos 180 internados, incluindo enfermarias, 85 são de Araraquara e 95, de outros 32 municípios, dos quais 52 estão em leitos de UTI.

A prefeitura afirma que as medidas foram definidas após orientações de especialistas em saúde pública, como representantes da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) que estiveram neste mês na cidade.

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