Em meio a violência, México elege deputados, governadores e prefeitos

Em meio a violência, México elege deputados, governadores e prefeitos
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No fim de uma campanha eleitoral mais uma vez marcada pela violência, o México vive neste domingo (6) um pleito de grandes proporções e em dois níveis –renova toda a Câmara dos Deputados e troca metade dos governadores, além de prefeitos e legisladores regionais.

Ainda que o partido do presidente Andrés Manuel López Obrador, o esquerdista Morena (Movimento de Regeneração Nacional), deva se manter como a principal força política do país, as pesquisas sugerem que ele pode perder a maioria confortável que, atualmente, facilita mudanças constitucionais.
Já as escolhas de 15 dos 32 governadores e dos prefeitos mantêm o clima historicamente violento, com ataques, sequestros e mortes –porque é na esfera local que cartéis de narcotráfico, grupos criminosos e paramilitares disputam território também nas urnas, financiando campanhas e lançando como candidatos representantes das próprias facções.

“Até o momento, temos 89 políticos assassinados, sendo que 75% deles eram de oposição às autoridades que estão no poder nessas regiões”, afirma à Folha Ruben Salazar, da consultoria Etellekt.

Embora o número possa parecer impactante, é menor do que o registrado nas eleições regionais de 2018, quando houve 112 assassinatos. Salazar destaca, no entanto, o aumento de outros crimes, que somam 450, entre agressões, sequestros e outros ataques. Três anos atrás, foram 345 durante a campanha.

Os delitos estão relacionados à disputa por cargos que significam a manutenção de privilégios e ainda o controle de negócios ilícitos.

“A política local está sequestrada pelos grupos armados, depende deles, e há muito dinheiro envolvido, das extorsões a comércios e camponeses, do tráfico de drogas, das taxas extraoficiais cobradas pelo transporte”, declara Salazar. “É uma disputa pelo controle do negócio local, mais do que uma disputa de poder.”

Muitos desses assassinatos durante as campanhas eleitorais ocorrem à luz do dia. Foi o caso de Abel Murrieta, 58, candidato a prefeito de Cajeme, no estado de Sonora, que levou dez tiros quando caminhava pelas ruas da cidade num evento com eleitores.

Murrieta era advogado de uma poderosa família local, a Lebarón, conhecida por ser inimiga de cartéis ligados ao tráfico de drogas.
Estão em disputa nesse pleito 21 mil cargos regionais, além dos 500 deputados que compõem a câmara baixa do Congresso. O Senado será renovado apenas na próxima eleição presidencial, em 2024.

As mudanças no Parlamento, no entanto, podem colocar em risco as reformas que López Obrador pretende aprovar e que necessitam de mais de dois terços da casa.

Entre elas, estão a derrubada de um pacote energético de seu antecessor, Enrique Peña Nieto (2012-2018), a flexibilização da legislação trabalhista e também uma proposta de reforma do Judiciário.

De acordo com a mais recente sondagem, realizada pelo jornal El Universal, o Morena deve garantir 39% dos votos neste pleito, enquanto o PAN (Partido da Ação Nacional) ficaria com 21% e o PRI (Partido Revolucionário Institucional), com 20%.

Atualmente, o partido do presidente predomina com 46% –o que, com as alianças com legendas afins, lhe dava a maioria necessária para realizar as alterações na Constituição mexicana.

“Em todas as eleições de meio de mandato desde 1997, o partido que está no governo perdeu apoio na Câmara dos Deputados. Trata-se de um desgaste que ocorre em mandatos longos [no México, são de seis anos], especialmente em tempos de crise”, afirma o analista político Alejandro Moreno.

A aprovação popular de López Obrador, porém, continua alta –embora venha caindo nos últimos tempos.
Segundo pesquisa recente do jornal Reforma, o mandatário tem 56% de aprovação e é bem avaliado na área rural, entre trabalhadores de baixa renda e entre estudantes de regiões mais pobres.

São mencionados como pontos positivos de sua gestão os subsídios na área agrícola, a distribuição de bolsas de estudo e a comunicação mais direta com a população.

As críticas ao presidente se concentram na segurança e na saúde –a desaprovação à sua gestão nessa área é de 58% e chega a 62% no que diz respeito ao enfrentamento da pandemia de Covid-19.

Oficialmente, o país acumula 2.426.822 de casos confirmados e 228.362 mortes pelo coronavírus. Esses números, no entanto, vêm sendo questionados pela imprensa local e estrangeira.

Levantamentos que consideram o aumento de mortes por região ou os registros por mortes anotadas como “suspeita de Covid” chegam a índices maiores do que aqueles divulgados pelo governo.

O presidente mexicano está entre os líderes populistas que minimizaram a gravidade da pandemia no começo da crise. Ele quase não era visto de máscara e chegou a pedir às pessoas que continuassem nas ruas, “dinamizando a economia popular”.

Com o agravamento da crise sanitária, no entanto, López Obrador moderou seu discurso, mas ainda hoje a trata como praticamente superada. Infectado recentemente pelo coronavírus, ele gravou um vídeo caminhando pelos corredores do Palácio Nacional para mostrar que não tinha medo da doença.

Apesar disso, os próximos três anos de seu mandato serão marcados também pelo impacto da pandemia na economia, depois que o PIB mexicano registrou retração de 8,5% em 2020.

Outro fator a ser observado na segunda metade de sua gestão é a militarização do governo. López Obrador chamou militares para compor seu gabinete e tem os colocado em funções públicas que antes não ocupavam, como o controle dos voos nos aeroportos, a coordenação das campanhas de vacinação e a construção de ferrovias. Segundo ele, é preciso utilizar melhor as Forças Armadas.

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