Fim do just in time? Montadoras repensam compra de componentes

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Fim do just in time? Montadoras repensam compra de componentes

A crise do chip expôs a deficiência de um sistema que as montadoras usam há anos e que era modelo de redução de custos para os fabricantes de veículos. O sistema just in time, criado pela Toyota, determina que tudo deve ser produzido, transportado ou comprado na hora exata.

De olho na agilidade do processo, os fabricantes acabaram atraindo seus fornecedores para perto de suas fábricas ou mesmo dentro delas, de modo a ter todas as peças e componentes feitos na hora e enviados direto à linha de montagem.

Mas, nem tudo pode ser feito nos arredores da planta de produção e os semicondutores é parte disso. Produzidos por uma cadeia global com poucos players que abastecem todo o mundo, o setor viu as compras das montadoras despencarem em 2020.

Com a pandemia de coronavírus, as fábricas pararam e as compras, feitas no modelo just in time, encerraram-se. Enquanto via a perda em vendas de clientes do setor automotivo, os fabricantes de chips recebiam pedidos adicionais de componentes da indústria de eletrônicos.

Fim do just in time? Montadoras repensam compra de componentes

Daí, voltaram-se totalmente para este setor. Com a retomada rápida da produção global de carros, os fabricantes de chips mantiveram o atendimento aos eletrônicos, visto que fizeram compras a longo prazo.

Empresas do setor de semicondutores já adiantam que as montadoras precisam repensar suas compras de componentes, pois, as aquisições de curto prazo.

Nessa indústria, a alegação é de que não compensa investir “nem um dólar” em um cliente se o mesmo pode cancelar a compra em 30 dias. Por isso, o setor está exigindo que as montadoras comprem a longo prazo e com contratos que não possam ser cancelados.

Isso mostra uma mudança no equilíbrio de poder no setor automotivo, onde os fabricantes de veículos eram os protagonistas. Com a crise, os fabricantes de chips mostram que essa realidade não existe mais.

Fim do just in time? Montadoras repensam compra de componentes

Para alguns fabricantes, a hora de voltar aos velhos tempos chegou, especialmente para a Ford. Jim Farley que a empresa terá de voltar a fazer como nos anos 20 e 30, quando fornecia a si própria peças e componentes.

Nos EUA, o governo está buscando a criação de pelo menos 10 fábricas de chips como reserva de mercado para proteger a indústria local da cadeia global de fornecedores.

Mas, o just in time não funciona mais nesse caso, como apontado por empresa do setor de chips. Há alguns meses, um problema de logística portuária impediu a entrega de borracha do Sudeste Asiático para os fabricantes do Ocidente, o que gerou uma crise momentânea no abastecimento das linhas de pneus e, consequentemente, das fábricas.

O impacto foi muito sentido nos EUA e evidenciou a necessidade de se fazer estoques para alguns componentes vitais. Após o terremoto de 11 de março de 2011, a Toyota descobriu a falha na cadeia de fornecedores reduzida e listou pelo menos 1.500 componentes para reserva de mercado, de modo a evitar suas plantas paradas.

Será que o processo muda? Enquanto isso, boa parte das plantas de produção estão paradas nos EUA, Europa, Coreia, Japão e aqui também.

[Fonte: Money Times]

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