Influenciadora que criticou quadrinhos de Anne Frank vende obra em sua livraria

Influenciadora que criticou quadrinhos de Anne Frank vende obra em sua livraria
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A ex-DJ e influenciadora digital Pietra Bertolazzi, que criticou a escola Móbile, de São Paulo, por usar a versão em quadrinhos em inglês do “Diário de Anne Frank”, na qual vê erotização da personagem, vende a obra em sua livraria na internet.

No post da semana passada, Bertolazzi disse que o livro é nojento, tem trechos sobre mulher pelada e tamanho de vagina, e que o uso dele em sala de aula causou indignação entre os pais.

Procurada pela reportagem, Bertolazzi afirma que tem em sua livraria inúmeros autores dos quais discorda.

“Sempre bato na tecla de que você precisa conhecer os seus inimigos melhor do que os seus aliados. Na minha livraria, vendo livros de Karl Marx, Engels, Simone de Beauvoir, e já vendi vários outros autores que eu abomino”, diz. ​

A influenciadora afirma que a livraria dela não é infantil. “É uma livraria destinada a um público adulto e politizado. Se um adulto quer ler essa versão de Anne Frank, é um direito dele. Não sou uma escola entuchando esse livro em menores de idade, instigando a pornografia e a sexualização precoce”, diz.

​Ela ressalva que sua livraria tem uma parceria com o Cedet (Centro de Desenvolvimento Profissional e Tecnológico).

“Eu faço a seleção de livros que faço questão de vender na minha livraria, e o resto eles selecionam por conta própria. Esse é um dos casos que eles colocaram por conta própria”, afirma Bertolazzi.

“Não somos uma instituição de ensino. Não estamos obrigando crianças a lê-lo e muito menos a passar pelo constrangimento de fazê-lo em voz alta na classe. E quero deixar bem claro que sou totalmente contra essa versão na história em quadrinhos e considero um erro gigantesco da parte do Cedet o ter colocado lá”, afirma a influenciadora.

A livraria online de Bertolazzi recomenda livros contra o feminismo e vende cópias da camiseta usada por Bolsonaro na campanha no dia da facada em 2018, inclusive com um desenho da mancha vermelha de sangue na altura da barriga. ​

A escola diz que a obra é usada na disciplina de inglês para alunos do 7º ano do ensino fundamental e integra um projeto de debate sobre o holocausto. A versão em quadrinhos é autorizada pela Fundação Anne Frank e pela Unicef, e, segundo a instituição, indicada para a faixa etária entre 8 e 12 anos de idade.

“A Móbile salienta que todo o conteúdo textual da edição consta no diário original redigido por Anne Frank, inclusive os trechos pontuais que suscitaram a referida discussão”, diz a escola, que afirma ter conversado com os pais que levantam dúvidas sobre o conteúdo.

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