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Abramovich levou Chelsea ao topo do mundo, mas foi moedor de técnicos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A era Roman Abramovich no Chelsea parece estar chegando ao fim. O bilionário russo, pressionado por possíveis sanções a ele e ao clube em razão de seu envolvimento com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou que colocou a agremiação inglesa à venda.

Desde que comprou o Chelsea em 2003 por 140 milhões de libras, Abramovich foi o principal financiador do projeto de futebol e poder que levou adiante com a equipe de Londres.
Enquanto ainda não concretiza o processo de venda, Abramovich é o único acionista da Fordstam Limited, empresa que controla o Chelsea FC PLC, que por sua vez é dono do Chelsea Football Club (o clube).

Por meio de empréstimos, o empresário injetou, de acordo com a ESPN, pouco mais de 1,5 bilhão de libras (R$ 10 bilhões) de sua própria fortuna para dar o suporte financeiro que permitiu ao time brigar pelos mais importantes títulos do futebol inglês e europeu nos últimos 20 anos. Em outras palavras, um empréstimo para si mesmo.

Dinheiro fundamental não só para a construção de elencos estrelados e alçar o Chelsea à condição de superclube mas também para que os londrinos pudessem atravessar sem grandes sustos alguns dos períodos de maior dificuldade financeira, como foi o caso na pandemia da Covid-19.

No temporada que se encerrou em 30 de junho de 2021, na qual conquistou a taça da Champions League, o clube revelou um prejuízo de 145,6 milhões de libras (cerca de R$ 994 milhões) no período, já descontados os impostos.

Isso não o privou de manter a equipe reforçada e desembolsar 97,5 milhões de libras (R$ 666 milhões) na contratação do atacante belga Romelu Lukaku para a atual temporada. Lukaku, de 28 anos, foi contratado ainda em 2011 pelo próprio Chelsea, mas não chegou a ser bem aproveitado e, entre um empréstimo e outro a diferentes clubes, optou por se transferir (ao Everton) em 2014.

Quase uma década depois, ele está de volta a Londres como a contratação mais cara da história do Chelsea. Além do belga, Abramovich pode se gabar de ter concretizado a negociação mais cara por um goleiro. Em 2018, contratou o espanhol Kepa Arrizabalaga, do Athletic Bilbao, por 71 milhões de libras, recorde que ainda não foi batido por jogadores da posição.

Mesmo com todo esse dinheiro investido de 2003 para cá, porém, Roman Abramovich diz que não cobrará os empréstimos de volta a partir da venda da agremiação.

“Eu não vou pedir nenhum empréstimo para ser reembolsado. Isso nunca foi sobre negócios ou dinheiro para mim, mas sobre pura paixão pelo jogo e pelo clube. Além disso, instruí minha equipe a criar uma fundação de caridade onde todos os lucros líquidos da venda serão doados. A fundação será para o benefício de todas as vítimas da guerra na Ucrânia”, afirmou, em nota publicada no site oficial do clube.

Em quase 20 anos à frente do Chelsea, uma das facetas que melhor definem Abramovich é a capacidade de moer técnicos, inclusive aqueles que têm sucesso à frente da equipe.

Foram 13 profissionais contratados pelo russo, quase um treinador por temporada.

Sua aposta de maior sucesso e que define seu reinado no clube inglês foi a contratação de José Mourinho, em 2004, logo depois de o português ter conquistado a Champions League com o Porto.

Logo em sua primeira temporada, Mourinho levou o time aos títulos da Premier League e da Copa da Liga Inglesa. Na temporada seguinte, conquistou o bicampeonato da Premier. Despediu-se de sua primeira passagem em 2007, com uma Supercopa da Inglaterra, mais uma Copa da Liga e uma FA Cup.

O português retornou ao clube em 2013, depois de comandar Inter de Milão e Real Madrid, e devolveu o time londrino ao topo. Na temporada 2014/2015, fez mais uma dobradinha com os troféus da Premier League e da Copa da Liga Inglesa, seus dois últimos títulos pelo Chelsea antes de deixar o clube, em dezembro de 2015.

Outros técnicos de renome passaram pelo banco de reservas de Stamford Bridge no período de administração de Abramovich, todos com dificuldades de lidar com as exigências do dono.

Carlo Ancelotti chegou ao Chelsea em 2009 e logo em sua primeira temporada faturou três títulos: a Premier League, com um ataque que anotou mais de cem gols no torneio, a Supercopa da Inglaterra e a Copa da Liga.

Na segunda temporada, contudo, não levantou taças, e Abramovich optou pela demissão do italiano.

“O princípio de minha era no Chelsea foi glorioso. Minhas ideias, conceitos e métodos pareciam ser bem aceitos pelos jogadores. Iniciamos a temporada muito bem, com o time ganhando 14 das 16 partidas por todas as competições. Porém, mesmo nesse período, havia sinais de que o relacionamento com o dono do Chelsea poderia ser complicado”, disse Ancelotti.

“Nem [Silvio] Berlusconi havia sido tão exigente”, afirmou, sobre o proprietário do Milan, com quem trabalhou durante sete anos.

Houve outras experiências com treinadores de elite que trouxeram títulos para o clube. O italiano Antonio Conte foi campeão inglês em sua primeira temporada no comando e adicionou uma FA Cup no segundo ano, mas também não resistiu à guilhotina de Abramovich.

Seu compatriota Maurizio Sarri levou a equipe à conquista da Europa League, mas deixou Londres após uma única temporada para comandar a Juventus. É até hoje o único treinador da era Roman Abramovich que escolheu deixar o clube para assinar contrato com outra instituição.

Foi com um técnico inexperiente, porém, que o Chelsea conquistou sua primeira Champions League na história. Ex-jogador do time, Roberto Di Matteo assumiu a equipe após passagem frustrada do português André Villas-Boas, que chegou para substituir Ancelotti. Assistente de Villas-Boas, Di Matteo guiou o time inglês ao título europeu, adicionando também mais uma FA Cup à sala de troféus de Stamford Bridge.

Apesar de ser uma lenda do clube como atleta e de ter alcançado o objetivo máximo de Abramovich, que era a conquista continental, Roberto Di Matteo durou apenas mais seis meses no cargo.

A segunda Champions do Chelsea chegou na temporada passada, sob o comando do alemão Thomas Tuchel, que coroou o título europeu com a vitória no Mundial de Clubes, superando o Palmeiras na final. Na última vez que os ingleses haviam estado numa decisão intercontinental, o clube havia perdido para o Corinthians, em 2012, com o espanhol Rafa Benítez no banco de reservas.

Além dos já citados, passaram pelo Chelsea na gestão Abramovich o italiano Claudio Ranieri, o israelense Avram Grant, o brasileiro Luiz Felipe Scolari (demitido com sete meses de trabalho), o holandês Guus Hiddink e o inglês Frank Lampard, ídolo do clube.

Notícias ao Minuto Brasil – Esporte
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