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Migração que originou povos e idiomas da África começou há 5.000 anos, diz estudo

Migração que originou povos e idiomas da África começou há 5.000 anos, diz estudo
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REINALDO JOSÉ LOPES
SÃO CARLOS, SP (FOLHAPRESS) – A migração pré-histórica que deu origem a boa parte dos povos da África, incluindo a maioria dos ancestrais dos brasileiros negros, começou há cerca de 5.000 anos e seguiu uma rota por dentro das florestas tropicais do centro do continente, afirma um novo estudo.

O resultado vem de uma análise dos padrões de parentesco entre mais de 400 idiomas do ramo linguístico banto, hoje presente numa área enorme que vai de Camarões, na costa do Atlântico, ao Quênia e à Tanzânia, no litoral do oceano Índico. A área abrange ainda a África do Sul e a Namíbia, no extremo sul, e Congo e Angola, na região central do continente.

Em todas essas regiões, as línguas predominantes possuem muitas semelhanças entre si, tanto no vocabulário quanto na estrutura gramatical, mais ou menos da mesma maneira que é possível detectar muitos pontos em comum entre o português, o espanhol, o italiano, o francês e outras línguas descendentes do latim.

Levando isso em consideração, é natural supor que os idiomas bantos descendem de um ancestral comum que foi se espalhando pelo continente africano milênios atrás. Os dados arqueológicos e de DNA sugerem que essa expansão provavelmente está associada às grandes capacidades agrícolas e tecnológicas dos falantes desse grupo de línguas no passado.

Os bantos parecem ter dominado a metalurgia do ferro por conta própria, por exemplo. Além disso, desenvolveram métodos eficientes de agricultura tropical, cultivando tubérculos, como o inhame, e grãos, como o milhete e o painço. A ideia é que esse pacote agrícola-tecnológico tenha ajudado esses grupos a colonizar novas regiões com mais eficiência, desalojando outros povos ou então se misturando com eles.

A questão, porém, é como e quando a jornada teria acontecido, e esse é o tema do novo estudo, coordenado por Ezequiel Koile, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionista, na Alemanha.

Junto com colegas da Rússia, dos EUA e da Nova Zelândia, Koile desenvolveu uma série de métodos estatísticos para tentar estimar como as línguas do grupo banto foram se diversificando com o passar do tempo, levando em conta as transformações na forma das palavras que elas compartilham entre si.

Uma das dúvidas, levando em conta tanto os dados linguísticos quanto os arqueológicos e genéticos, é se os bantos teriam precisado “esperar” um momento relativamente mais seco do sistema climático africano, por volta de 2.500 anos atrás, para se expandir muito além de seu lar original, que provavelmente ficava em Camarões.

Essa proposta surgiu porque os principais cultivos desses povos na época eram mais apropriados para regiões de savana, mais secas e com vegetação mais aberta. No entanto, antes de 2.500 anos atrás, estima-se que a faixa central do continente africano, ainda hoje a que abriga as florestas tropicais e equatoriais mais úmidas e densas, era bem mais extensa e contínua.

Para alguns especialistas, isso teria barrado a expansão dos bantos até o momento em que a diminuição das chuvas levou à abertura de um “corredor” de vegetação aberta do vale do rio Sangha (afluente do rio Congo). Outra possibilidade é que, em vez de seguir por esse corredor, os bantos teriam adotado uma rota costeira, passando por locais do litoral do Atlântico em que também havia vegetação menos densa.

A grande análise linguística coordenada por Koile, porém, indica que a separação entre os principais ramos da família de idiomas bantos aconteceu muito antes da abertura do corredor de savana, além de também não bater com a rota pelo litoral. A estimativa deles é que a expansão desses povos já teria alcançado as florestas tropicais da África Central por volta de 4.500 anos atrás, bem antes da transformação dessas matas trazida pela seca.

A ideia, portanto, é que os bantos teriam conseguido usar estratégias diversificadas para ocupar as florestas, seja escolhendo áreas de vegetação um pouco menos densa para plantar, aproveitando as margens dos rios ou complementando sua subsistência agrícola com a caça e a coleta. Seriam métodos não muito diferentes das populações de agricultores indígenas que ocupavam a Amazônia mais ou menos na mesma época.

Os resultados desse processo também deixaram marcas importantes no DNA, na cultura e na língua dos brasileiros. Acontece que sete em cada dez dos africanos escravizados mandados para cá ao longo de três séculos vieram de Angola e do Congo, regiões com população de bantos. Palavras muito comuns do português falado no Brasil, como “moleque” e “camundongo”, derivam dos idiomas dessa família.
O estudo saiu na edição desta semana da revista especializada PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

Fonte: https://www.noticiasaominuto.com.br/rss/mundo
Artigo extraído do site Notícias Ao Minuto

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